quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Guia Prático de "Know-How" em PC Gaming do Willi | Parte 4 | Reflexões Sobre o Jogador


Enfim, chegamos ao final deste guia, e no post de hoje, o foco não será na máquina ou nos jogos, mas sim em você, jogador. Depois de termos passado por assuntos relacionados a hardware e software, chegou a hora de encerar esta série de posts fazendo uma reflexão sobre o comportamento do ser humano.

Montar um computador para jogos e, mais que isso, saber usá-lo corretamente, não é uma tarefa simples. Como pudemos ver ao longo do guia, todas as etapas exigem bastante empenho e dedicação por parte do jogador: desde a escolha cuidadosa das peças até o entendimento sobre os processos que estão ocorrendo na tela à sua frente, tudo envolve uma série de informações, números e dados técnicos, e aqueles que melhor sabem interpretar e gerenciar tudo isso são os que de fato merecem o título de PC gamers. Afinal, se fosse para "ligar e jogar", jogaríamos no console. Não me entenda mal: ninguém é obrigado a ser expert, mas como estamos falando de uma plataforma aberta, customizável e com uma vasta gama de possibilidades, limitar-se ao "arroz com feijão" é algo meio contraditório.

Um assunto que geralmente ronda o público jogador de PC é a Master Race. O termo é usado para simbolizar a corrida dos PC gamers pela melhor configuração, pelo melhor desempenho, pela máquina mais robusta, etc. E muitas pessoas acreditam que todos os PC gamers são master racers, quando na verdade não é assim que funciona. Seja pra você, gamer de PC super conformado que joga os games de 2016 no low em 720p; seja pra você que não pode ver um anúncio de placa de vídeo nova que já vai correndo fazer pré-venda; seja pra você que não entende nada do que foi dito aqui ao longo do guia e quer dar opinião sobre alguma coisa; esse post é pra todos vocês.

Na minha humilde opinião, o melhor a se fazer quando se trata de tecnologia é tomar uma conduta balanceada entre satisfação e ambição. Permitam-me explicar melhor. A pessoa super conformada até pode achar "bom" ou "suficiente" o simples fato de "rodar" um jogo, indiferente da qualidade apresentada. Muitas vezes, o orçamento também não a permite sair daquela condição. Mas isso não significa que ela tem que pensar assim (e passar por isso) a vida toda: qualquer fã de jogos merece jogar com qualidade. E eu nem estou falando só de PC aqui não: no caso do videogame, dispôr de uma boa TV, um sofá legal, um ambiente próprio para isso, são coisas que dão outra vida àquela atividade. Então a pessoa até pode ser conformada e achar que "aquilo ali já tá bom, não precisa mais". Mas quando desfrutar de uma experiência real de qualidade, vai mudar sua mentalidade e perceber que merece algo melhor, e deve correr atrás para tornar isso possível. Sair do conformismo.

Agora o oposto: o pessoal que é Master Race demais, eu sinceramente não acredito que prestem muita atenção no jogo que passa à sua frente. Como eu disse na primeira parte: "números são importantes para referência, mas não são tudo". Um computador gamer bom, nem mediano nem top de linha, mas bom, dá conta de praticamente qualquer jogo em qualidade altíssima sem ter que fazer upgrade por uns bons anos. Será que é necessário trocar de placa de vídeo toda hora? Será que uma ou duas quedinhas de frames durante toda a campanha de um jogo são motivo de alarde? Ora, eu não lembro do pessoal reclamando do slowdown que o Super Mario World apresentava numa das fases da Forest of Illusion. O que eu sei é que muita gente exalta os tempos áureos de Doom e Quake (onde tenho certeza que jogavam em máquinas fuleiras) e hoje só reclama dos jogos atuais, mesmo dispondo de configurações parrudas para rodá-los. Receio que o vício dessas pessoas não é jogar, mas é querer coisas. Lembre-se que o propósito-mor de você montar um PC gamer é jogar, e não aumentar a taxa de números na tela. Uma taxa de números alta significa sim uma ótima experiência de gameplay, mas ela não é tudo. O gameplay em si também é importantíssimo e deve ganhar atenção.

E por último, galera dos consoles que discute dados técnicos: muitos discutem apenas por birra ou infantilidade de querer ter o mais alto, querer ser melhor que o amiguinho. O fato é que foi-se o tempo em que os consoles eram máquinas poderosas e robustas, hoje eles andam na corda bamba e já apresentam jogos com desempenho de qualidade duvidosa, ocasionando numa experiência que beira o insatisfatório. Tanto é que este ano estamos presenciando o nascimento de uma nova metodologia na indústria de consoles: os videogames de meio de geração que servem para rodar os mesmos jogos, só que com performance mais robusta. Master race nos consoles? Não vou entrar no mérito de debater isso aqui, mas assumo que migrei para o PC ao ver que desde 2013 a qualidade dos lançamentos para consoles virou uma palhaçada (há exceções, mas poucas, e ao meu ver não valem o investimento num aparelho). Então, quem joga nos consoles, preocupe-se apenas em jogar, e se os detalhes técnicos passarem a lhe chamar a atenção e serem importantes para você, venha para o PC.

E que lição tiramos de tudo isso? Ora, jogar é o mais importante de tudo! Tão importante que merece ser feito com qualidade, mas ao mesmo tempo sem deixar que a qualidade em si se torne mais importante que a jogatina.


Este foi o Guia Prático de "Know-How" em PC Gaming do Willi. Espero ter ajudado, e tomara que minhas dicas, sendo elas sobre hardware, software ou comportamento, tenham sido úteis para vocês. Foi um prazer escrever tudo isso, muito obrigado àqueles que leram até o fim. Agora, o Point volta à sua programação normal. Um abraço a todos e até a próxima!

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