segunda-feira, 18 de julho de 2016

Guia Prático de "Know-How" em PC Gaming do Willi | Parte 1 | Quais São As Peças Mais Importantes Para o Jogo Rodar Bem No PC?

     O objetivo deste texto não é ensinar ninguém a montar PC gamer, muito menos apresentar uma descrição de cada peça de um computador e para quê ela serve (parto do princípio de que quem está lendo isso já saiba o básico), mas sim, dar ênfase às peças que mais impactam no desempenho de um jogo no seu computador e porquê.
     Pois bem. Essencialmente, o que vai determinar se um game vai rodar bem, medianamente ou mal no seu computador é um conjunto de três peças: o Processador, a Memória RAM e a Placa de Vídeo. Desnecessário dizer que também é ideal ter uma boa placa-mãe, que a fonte deve ter os watts necessários para segurar sua configuração com certa folga, que o HD não deve ser jurássico, etc. Na prática, o que vai fazer o jogo rodar no seu computador são aquelas três peças principais, e o restante da máquina serve para "segurar" essas peças e fazê-las funcionarem.
     É importante lembrar, também, que no seu computador não é apenas o jogo que roda, mas também o sistema, outras tarefas e programas que funcionam em segundo plano, etc. Por isso, ao jogar, você tem seu computador sustentando o jogo + o sistema. Evidentemente que para o game funcionar melhor (o que quer dizer, "mais do PC" disponível para ele) é bom não deixar várias tarefas e abas de navegador abertas enquanto joga, à fim de ter mais desempenho disponível para ser usado em seu game e, consequentemente, rodá-lo melhor.
     E agora vamos à informação: para que serve cada peça da "trindade" que sustenta um jogo? Vamos ver juntos:

Processador
     Responsável por todos os cálculos e processamento de informações que ocorrem na máquina e, obviamente, no seu jogo. É ele quem gerencia a leitura de arquivos, a compactação e descompactação dos mesmos durante o game, a resposta aos comandos do jogador e as reações para essas respostas, a maneira como todos os outros componentes do PC trabalham e se comportam, enfim, meio clichê dizer isso, mas ele é o cérebro da coisa toda. Claro que a importância do processador no PC gamer não é apenas segurar o jogo, como também aguentar que o jogo seja minimizado e maximizado sem travar a máquina toda, permitir, em conjunto com o HD ou SSD, que os loadings e reloadings sejam mais rápidos, intercalar entre tarefas mais rapidamente, segurar mais coisas abertas sem travar, etc.
     Processadores podem ter diferentes quantidades de núcleos, quanto mais núcleos, mais as tarefas de processamento são divididas dentro do processador e, consequentemente, mais rápidas elas são desempenhadas (em outras palavras, mais rápido o processador é). A velocidade do processador, chamada de clock, representa a quantia de ciclos na qual ele trabalha por segundo. Um processador de 2 GHz faz 2 bilhões de cálculos por segundo. Mas é interessante notar que uma maior quantidade de núcleos dá um resultado melhor do que uma velocidade alta. Por exemplo, um processador de 1.8 GHz com quatro núcleos te entregará um desempenho melhor que um de 2 GHz de apenas um ou dois núcleos.
     Um mito ou confusão que muita gente acaba fazendo, é achar que, em se tratando de processadores Intel, o i3 é o pior, o i5 é o mediano e o i7 é o Deus todo poderoso. Na verdade, não é bem assim que funciona. Acontece que cada um desses processadores possuem várias gerações. Os i3/i5/i7 XXX (onde "X" é o número do processador) são de primeira geração, os 2XXX são de segunda, os 3XXX são de terceira e assim sucessivamente. Por conta disso, fica óbvio, por exemplo, que um i3 de quarta ou quinta geração, seja superior a um i7 de primeira ou segunda.
     O impacto que o processador surte no desempenho do seu jogo é algo meio que 8 ou 80, ou ele aguenta aquilo muito bem, ou com muita dificuldade. Na internet é possível encontrar vários testes de processadores diferentes e o impacto que o uso de cada um causou durante uma partida de certo jogo. A diferença entre o pior e o melhor processador dos testes não costuma ser maior do que 10 FPS. Ou seja, (dica do Willi) você não precisa ficar trocando de processador toda hora. Tenha um bom em seu PC gamer, que dê conta de segurar sua placa de vídeo e os jogos em bom desempenho, e o troque apenas quando sentir que ele realmente não está mais dando conta. Ele é uma das peças que mais pode esperar para ser substituída em upgrades no seu computador.

Memória RAM
     A memória RAM serve para alocar temporariamente os processos e arquivos que ficam em segundo plano, e que podem ser brevemente utilizados pelo usuário. Através dela, o processador não precisa ir até o HD ou SSD buscar o que precisa, pois tudo já está facilmente acessível através da RAM.
     Em jogos, uma boa quantidade de memória RAM colabora para o bom desempenho, mas isso não significa diretamente que mais RAM é igual a mais frames na tela. O que acontece é que com mais espaço disponível para alocar itens, mais rápida é a utilização destes mesmos itens, de maneira que a placa de vídeo e o processador podem desempenhar suas funções sem ter que ficar "esperando" pela RAM. Por outro lado, se o contrário acontecer, e não houver RAM suficiente para alocar todo o conteúdo que o jogo exige, podem acontecer bugs como chão e paredes desaparecendo, travamentos, artefatos piscando na tela ou até mesmo o jogo nem abrir por falta de RAM.
     Atualmente um bom PC gamer deve contar com ao menos 8 GB de RAM. A maioria dos jogos atuais (2015-2016), rodando em Full HD e com gráficos em qualidade média/alta, consomem entre 4 e 6 GB de memória RAM (alguns passam disso). Portanto, é recomendadíssimo que o usuário disponha de uma "folga" ou "margem de segurança" em sua memória, à fim de não rodar seus jogos sempre no limite e eventualmente passar por problemas de funcionamento. Ainda tem o pessoal que se vira com 4 GB de RAM, mas certamente a experiência obtida com games mais pesados não é das melhores. Vale lembrar também que o sistema operacional do PC deve ser de 64-bits, que suporta o uso de até 8 TB de RAM (!) enquanto o de 32-bits suporta no máximo 4 GB, que já é insuficiente para rodar muitos títulos.
     Dica do Willi: É importantíssimo frisar que a compra do(s) pente(s) de memória RAM deve ser feita dando atenção especial a dois detalhes: a dissipação de calor e a velocidade (clock) da RAM. Ao comprar, não escolha memórias que são apenas aquele pente verde pelado, ao invés disso opte pelos pentes revestidos com uma "carcaça", essa carcaça faz o trabalho de gerenciar a temperatura da sua memória e impedir que ela superaqueça e frite em situações de uso acentuado. Também preste atenção ao clock da memória, opte por uma cuja quantidade de MHz e o tipo de DDR (DDR2, DDR3...) sejam suportados pela sua placa-mãe. E pelo amor de Deus, não queira misturar sua memória nova com o pente velho na intenção de "agregar quantidade", pois o trabalho da RAM é nivelado por baixo, então a memória nova vai trabalhar na frequência da velha, diminuindo o desempenho. Desapegue de velharias!

Placa de Vídeo
     E agora a cereja do bolo: a placa de vídeo! É através dela que todo o vídeo no computador (desde filmes que você assiste a games que você joga) é gerado. Caso o computador não tenha uma placa de vídeo, o processador entra em ação para suprir essa necessidade, porém o processamento de vídeo dele (mesmo o dos mais tops de linha) é bem básico, e em jogos, só serve para rodar títulos bem leves.
     É com a placa de vídeo que tudo no seu jogo ganha vida. Ela é a principal responsável pelo desempenho do game, sendo a peça do computador que mais influencia na performance dos títulos jogados. Enquanto o processador e a memória basicamente fazem cálculos e entregam comandos e respostas, a placa de vídeo entrega o "físico" de tudo isso, como o boneco que faz o comando ou o cenário que responde com uma reação. Também é ela que traduz todos aqueles arquivos e processos em imagem, transformando toda aquela pasta com milhares de arquivos de extensões estranhas em uma linda floresta tropical ou uma cidade populosa.
     Pois bem, e o que é importante numa placa de vídeo para ela ser boa ou ruim? Para ela desempenhar uma performance ótima ou horrível num jogo? A resposta, mais do que óbvia, é a tecnologia contida ali dentro daquela peça. E aí você ri da minha cara por eu ressaltar algo tão óbvio. Aí eu explico o porquê de ressaltar algo tão óbvio: muitas pessoas acham que tudo que importa na placa de vídeo é a quantidade de memória de vídeo (GBs de VRAM), a quantidade de bits, a velocidade do clock, enfim, os números. Quanto mais altos forem os números, melhor a placa vai ser. Aí vão lá e compram uma placa antigona de 6 fodásticos GBs de VRAM, trocentos bits e acham que aquilo é o negócio de suas vidas. Na verdade, acabaram de rasgar dinheiro. Números altos, sozinhos, não significam diretamente a qualidade e potência da placa de vídeo, eles servem como referência, mas o que vai determinar realmente a eficiência daquela peça vai ser a tecnologia que está ali dentro, os microprocessadores, os chips, a programação, a maneira como ela funciona.
     Portanto, quando você for comprar uma placa de vídeo, até é interessante que você olhe para esses números à fim de saber o que está comprando e também de ter uma noção do quão poderosa é a placa, mas nunca procure peças de mais de 3 ou 4 anos atrás, por duas certezas: Primeira, aquilo não vai servir pra rodar jogos atuais em boa qualidade por muito tempo, e segunda, com o mesmo dinheiro ou talvez um pequeno acréscimo você adquire um produto mais atualizado que, aí sim, vai te entregar um desempenho legal e te permitir jogar os games que você quiser sem stress e por mais tempo.
     Essa VRAM, ou memória de vídeo, que citei anteriormente, é basicamente "a memória RAM da placa de vídeo", e funciona do mesmo jeito, só que para fins de vídeo. Quanto mais VRAM, mais gráficos a placa consegue alocar, e consequentemente, maior é o nível de qualidade gráfica que você pode usar em seu jogo. Mas o destrinchar deste assunto, com os devidos detalhes, fica para um tópico especial sobre isso. Quanto ao clock, funciona mais ou menos da seguinte maneira: quanto mais alto, mais cálculos e processamento a placa de vídeo é capaz de fazer, e portanto, mais gráficos e "situações pesadas" (como um tiroteio em mundo aberto cheio de partículas e reações do cenário) ela é capaz de aguentar. Mas reitero, não adianta clock e VRAM super elevados em placa velha, pois ela não saberá como utilizar isso em prol do bom desempenho de um game mais atual.

     Pois bem, agora que você já conhece melhor a "tríade gamer" das peças do PC, e sabe melhor como elas funcionam, chegou a hora de eu deixar alguns conselhos gerais sobre PC Gaming, especialmente no que diz respeito a hardware. Tudo que vou dizer a seguir são conclusões às quais cheguei sozinho, assistindo a testes, fazendo meus próprios testes, vendo PCs de amigos (melhores e piores que o meu) e pesquisando e estudando sobre o assunto.

Assista a testes de desempenho no YouTube
Antes de eu montar meu PC gamer, devo ter assistindo a mais de 200 vídeos de testes de PCs no YouTube, de jogos que eu queria e não queria jogar, nas mais diferentes configurações, só pra adquirir noções e ver como cada coisa funcionava. Este é o melhor jeito de praticar sem ter as coisas, e ajuda tanto quem quer montar um PC do zero quanto quem quer fazer upgrade. Preste atenção aos detalhes, repare em semelhanças e diferenças, veja qualidades, veja defeitos, pesquise preços, faça anotações e não se afobe. Ter calma e escolher a(s) peça(s) corretas é muito mais gratificante do que ter pressa e acabar comprando algo inferior ao que se esperava.

Desapegue de velharias
Não queira juntar sua nova memória RAM àquela velha, não queira misturar GTX 970 com Celeron, não monte uma configuração top de linha num gabinete porco todo fechado sem refrigeração, não queira que PC de 2010 rode jogo de 2015 de maneira decente, enfim, você entendeu. O mito de que PC gamer tem que fazer upgrade a cada 2 anos não passa disso, um mito, as coisas não são assim. Mas um computador para jogos, na maioria das vezes, também não dura por inteiro tanto quanto um console. Pra trocar tudo, demora bem mais que console, mas uma pecinha ou outra, eventualmente, temos que substituir, e isso é uma vantagem, e não desvantagem, pois assim sempre temos a possibilidade de dispôr de hardware atualizado para curtir os jogos atuais, diferente dos consoles que depois de um certo tempo passam a rodar os jogos de maneira porca. Portanto, procure manter sempre o seu PC nivelado, com peças que seguram umas às outras, e não junte o equipamento novo à velharia, pois o resultado não tem como ser bom.
O barato sai caro
Dar valor ao dinheiro é importante e não estourar o orçamento destinado a certa compra também, mas tente não sair querendo economizar em tudo. Quando for montar ou melhorar uma máquina, faça a coisa direito, de maneira que o salto de qualidade que você ganhe seja significativo, e não apenas simplório. Se for mirar no mais baratinho, é certeza que ele não será capaz de te satisfazer por muito tempo, fazendo você voltar à situação de querer/precisar de upgrade mais cedo do que você pensa. Mire alto, você merece jogar no High ou pelo menos no Médio, pare de se contentar com Low travando e com upgrades pífios que só servem para te tirar do Low por um ano ou menos. Saiba economizar, saiba ter paciência, fique mais tempo sem, mas quando comprar, compre coisa boa.

O mais caro nem sempre é necessário
Fazendo um paralelo à dica acima, o mais caro também não é sempre o necessário. Analise sempre o custo-benefício das peças, veja se a performance que elas entregam vale aquele preço que elas estão custando, procure por peças com desempenho semelhante mas com preço menor (às vezes a mesma placa de vídeo, só que de outra marca, por exemplo). Muitas vezes um ótimo desempenho junto de lindos gráficos é alcançado com uma configuração menor do que você imagina que precise.


     Por enquanto é isso! No próximo post, falaremos sobre ajustes gráficos nos games. Um abraço!

2 comentários:

  1. Muito bom o guia, Willi! Tudo verdade. Gostei especialmente na parte da placa de vídeo, que as pessoas tem tanto costume de falar em altos números. Grande verdade. E outra também sobre a memória, sempre tem um maluco que coloca mais aquele pentezinho maroto com desempenho mais baixo só pra agregar valor final e não entende pq o PC não ganhou melhor performance.
    Com certeza a máquina toda tem que funcionar como uma orquestra e bem alinhada, colocar Celeron com PC ferrado não vai levar ninguém a lugar nenhum, melhor rodar o jogo em um notebook meia boca, capaz de sair melhor resultado.
    Meu problema com PC, inclusive, está aí: paciência pra encontrar a melhor combinação considerando custo/benefício. Eu nego gastar um absurdo por um PC e ao mesmo tempo não consigo ter algo que vai me proporcionar uma qualidade de console, saca? Aí acabo caindo em um dead lock meio maluco, começo a ficar irritado e desencano. Fora a falta de espaço pra colocar um gabinete em casa, eu não conseguiria justificar isso pra esposa, já o console pode ficar na sala de boa... hauhuauhauahuahuauha
    Esse último parágrafo foi mais pra explicar o comentário no índice, onde disse que vc não me convenceria a montar um PC. Eu sempre passo por isso quando alguém me questiona pq não abandono os consoles e volto pra esse mundo.
    Enfim, continue com o guia, Willi, tá ficando bem bacana!

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    1. Valeu Cadu! Aí, montar um PC gamer exige um estudo e dedicação quase como para aquela prova ferrada de curso e faculdade! Não é pouca coisa não! Kkkkkkkk

      E justamente por isso eu entendo a tua frustração. Às vezes a vida é corrida e podem existir inúmeros fatores que não contribuem para a paciência que, não tem como negar, é necessária para escolher uma combinação de peças adequada para um PC bom. Pior ainda é quando a pessoa para de acompanhar o mercado por alguns anos, aí toda a noção que tinha de "o que roda o que" vai por água abaixo. PC gamer é realmente um negócio que quer que você o queira de verdade pra dar certo. Mas que nada, se um dia mudar de ideia, o guia vai estar aí pra te ajudar! :D

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