quinta-feira, 16 de junho de 2011

God of War (PS2)


     God of War. Impossível alguém que nunca tenha ouvido falar nessa série. Série a qual conseguiu se tornar tão popular quanto outras como Mario, Sonic e Zelda, série responsável por desbancar Crash Bandicoot do título de mascote da Sony para dar lugar ao brutamonte Kratos, série responsável por dividir a opinião de muitos jogadores entre "espetacular, maravilhoso!" e "péssimo, horrível". Série a qual sem dúvida tornou-se uma das melhores entre os games da atualidade.
     Protagonizada pelo espartano Kratos, a série já recebeu diversos títulos para os consoles da Sony, entre eles o PS2, o PS3 e o PSP. Mas todo esse sucesso jamais viria do nada, para estabelecer uma boa franquia é preciso ter qualidade, e qualidade é o que não falta em nenhum game da série, pelo meu ponto de vista. E esse legado que God of War construiu entre os gamers começou em março de 2005, com a chegada do primeiro game da série para o PlayStation 2. Vamos à análise desse game:

O JOGO
     God of War é um jogo que divide opiniões justamente pela sua mecânica: ele deu o pontapé inicial para a popularização do gênero Hack'n Slash, um jeito moderno de Beat'n Up, que mistura o "anda e bate" com detalhes de um jogo de aventura (como exploração de locais, fases maiores, itens, upgrades nos personagens, coisa que dificilmente vemos nas linhas retas dos jogos de beat'n up). Antes dele, já haviam jogos desse gênero (como Onimusha e Devil May Cry, lançados por volta do ano 2000) porém nenhum deles foi tão popular e emplacou tão bem quanto o game do espartano.
Um jogo de aventura com mais pancadaria:
isso é Hack'n Slash, isso é God of War!
     A mecânica de Hack'n Slash constitui-se em, praticamente, um game de aventura com mais pancadaria. Temos muito mais inimigos a derrotar do que num jogo normal, e constantemente paramos de seguir nosso percurso para detonar com grupos de vários inimigos (tal como nos beat'n ups, onde a tela parava de acompanhar o personagem, impedindo o jogador de seguir em frente, e aí apareciam vários bandidos pra gente vencer). O Hack'n Slash é conhecido como o "destruidor de botões" pois temos de apertar repetidamente os mesmos botões para vencermos mais e mais inimigos. E é justamente esse quesito que divide tanto as opiniões dos jogadores com relação a God of War: a repetição. Num Hack'n Slash, sim, temos aventura, temos exploração e tudo mais, mas, boa parte do tempo ficamos batendo, batendo e batendo. Atacando, atacando e atacando. E para muitos, isso é repetitivo e enjoativo. Só que essa é justamente a característica principal do Hack'n Slash: bater, bater e bater! Então não há do que reclamar. É a mesma coisa que reclamar de que "os jogos de FPS são complicados porque você precisa mover os dois analógicos". Poxa, TODOS OS FPSs USAM OS DOIS ANALÓGICOS, não tem porquê reclamar, se esta é uma característica do gênero do jogo! Mas pra falar a verdade, nem é tão repetitivo assim não.
Kratos, o protagonista
     Em God of War, o jogador assumirá o controle de Kratos, um guerreiro espartano dotado de incríveis habilidades de luta. A missão de Kratos é derrotar Ares, um dos deuses do Olimpo, por quem ele foi amaldiçoado a dez anos atrás. Naquela época, enquanto estava viajando com seu navio, Kratos foi atacado por um grupo de bárbaros, e no desespero de não poder vencê-los, Kratos orou para o Deus da Guerra, Ares, para que lhe desse poder, e em troca Kratos iria serví-lo. Ares atendeu ao pedido do espartano e lhe concedeu os poderes necessários para que ele derrotasse os bárbaros e salvasse seu navio. Entretanto, Kratos agora era um guerreiro fadado a servir a Ares durante sua vida. Kratos lutou e triunfou por inúmeras guerras pela Grécia, e em certa ocasião, ele e seu exército foram incumbidos de atacar uma vila. Ares queria tornar Kratos o guerreiro perfeito, sendo frio e perverso, e então colocou a mulher e a filha de Kratos na vila onde o guerreiro estava a atacar. Kratos acidentalmente acaba matando sua esposa e sua filha, só que, ao invés de se tornar o guerreiro perfeito o qual Ares queria, ele fica profundamente arrependido e inconformado com o que fez. Ares, vendo que não havia obtido o resultado que queria com o guerreiro, o amaldiçoa, colocando as cinzas de sua mulher e de sua filha em seu corpo, fazendo sua pele ficar cinza (daí o apelido de Ghost os Sparta, ou "Fantasma de Esparta"). Atormentado pelo assassinato de sua família, Kratos compromete-se a dez anos de servitude aos deuses do Olimpo. Passados aos dez anos, chegamos ao início do jogo, onde Kratos convoca Atena, e ela lhe diz que se ele derrotar Ares, assim fazendo sua última tarefa como servente dos Deuses, será perdoado pelo assassinato. Kratos então parte em busca de vingança, sua missão: Derrotar Ares, o Deus da Guerra.
Uma jogabilidade bem trabalhada e uma boa sensibilidade
permitem ao jogador atravessar ripas de madeira como
essa sem maiores complicações
     A jogabilidade é o grande ponto forte do título. Em God of War, temos comandos fáceis de aprender, jogabilidade intuitiva e uma sensibilidade invejável. Uma das coisas que mais chama a atenção na jogabilidade é que não há ajuste de câmera! Ao invés disso, cada lugar que você acessa tem a câmera a partir de um ponto fixo (sempre muito bem posicionado por sinal) e o ajuste de câmera torna-se dispensável. O analógico responsável pelo ajuste de câmera, aqui, exercerá outra função: a de dar uma cambalhota. Com isso, se um inimigo se prepara para atacar Kratos e não há tempo de tentar bater nele, você pode usar uma cambalhota para desviar. É um recurso muito útil. Kratos também pode bloquear os ataques inimigos, e também (obviamente) pode usar seus próprios ataques, que são o fraco e o forte, o forte sendo mais lendo porém tendo o maior alcance, e o fraco sendo mais rápido porém tendo alcance menor. Combinando ambos os ataques, é possível executar os mais diversos combos, e, falo com toda a certeza, há momentos em que o jogador pode, literalmente, brincar com os inimigos. Não só é possível atacá-los, como também agarrá-los e finalizá-los! Alguns inimigos precisam apanhar um pouco para que o símbolo do botão O apareça sobre eles, aí, apertando o botão O próximo ao inimigo, é possível executar uma finalizá-lo, seja com um movimento normal (tipo arrancar um braço do inimigo e usá-lo pra bater nele, é algo bem normal) ou com uma sequência de botões que aparece na tela pra você apertar. A sequência deve ser apertada corretamente, caso contrário o inimigo é que vai tirar vantagem e ele é que vai lhe dar uma surra (uma finalização errada pode ocasionar num poderoso ataque inimigo que causa um bom dano no nosso espartano).
O espartano usando a cabeça da Medusa para lançar
seu flash que petrifica os inimigos
     Kratos também conta com habilidades e ataques dos deuses, os quais ele vai adquirindo com o decorrer do jogo. São quatro ataques, e você escolhe qual deles quer usar utilizando o direcional: cada um dos botões (cima, baixo, esquerda e direita) seleciona uma das habilidades, e aí, é por conta do R2 que essa habilidade irá devastar os inimigos! E além dessas habilidades, Kratos também ira adquirir novas armas conforme o progresso no jogo. Todos esses ataques e apetrechos podem receber upgrades através das orbs, pequenas bolinhas que se coleta durante o jogo destruindo inimigos ou abrindo baús. As verdes recarregam a vida, as azuis a magia, e as vermelhas servem para fazer os upgrades nas armas e nas magias. Se uma magia precisa de 3000 orbs para subir de nível, você conquista as 3000 orbs, pausa o jogo e as coloca na magia, assim fazendo ela subir de nível. Cada magia e arma possui quatro níveis: 1, 2, 3 e Max. Quanto mais alto o nível, mais dano ela causa.
     God of War é um game bastante dinâmico e com ação frenética. Para você ter uma ideia, o jogo só para quando você coloca no pause ou quando o pregresso é salvo, se não, é adrenalina pura! O game nem sequer é dividido em fases, ele é totalmente linear, o personagem vai caminhando, abrindo caminho entre os inimigos, e avançando entre os lugares, mas sem qualquer divisão de fase ou missão. Há apenas a apresentação dos lugares, quando chegamos a uma área nova, mas fora isso, é totalmente linear, para aumentar anda mais a ação e a adrenalina. Os inimigos sempre estão em grupos grandes na tela, e geralmente eles possuem vários ataques, fazendo com que você tenha que não só atacar, mas também se defender e esquivar, e sobretudo prestar atenção nos movimentos de todos eles, pois enquanto você estava fazendo um combo em um, na hora do golpe de misericórdia vem outro e lhe acerta. Assim, muitas vezes temos que abdicar do "ataque fodão" para nos defendermos de um ataque vindo de outro inimigo. E para os inimigos mais grandalhões, não adianta defender, o jeito é escapar com uma cambalhota!
     Falando nos inimigos, eles são em sua maioria guerreiros zumbis e espectros, que contam com diversos tipos de ataques e movimentos, como aqueles que entram no chão e depois surgem na frente de Kratos lhe dando uma bela espadada. Mas além destes, também há monstros que são variações das criaturas da mitologia grega, como os minotauros armados com machados, as medusas que lançam flashes de luz que petrificam, entre outros.
     Os ambientes das fases são muito bem feitos e retratam com êxito a era grega. São cenários bem construídos, com vários elementos realísticos, como por exemplo, as ruas com calçamento (já reparou que muitos games tem as ruas lisas, sem nenhum tipo de "cuidado por parte da prefeitura"?), as portas todas enfeitadas, o efeito realístico das paredes e dos ambientes internos, enfim, podemos perceber que o game preza muito por detalhes. E esses detalhes ganham ainda mais vida com os belíssimos gráficos que o game tem, são gráficos bonitos mesmo, um dos padrões mais realistas entre os jogos do PS2.
Os cenários não são tão diversificados, ao jogar percebemos que há um excesso de salas internas, de calabouços, porões e localidades do tipo. Além disso, boa parte do jogo é na cidade de Atenas, em suas ruas e subúrbios, e também em seus castelos, e não há muita diversidade de ambientes nisso. Claro, num jogo cujo cenário principal é a Grécia antiga, não há muito o que retratar, porém, os ambientes podiam sim ser mais diversificados. O legal é que os cenários retratam mesmo uma guerra, em certos pontos podemos ver ao fundo guerreiros brigando com os demônios, bolas de fogo atingindo os prédios, enfim, é um cenário de guerra mesmo, e muito bem feito por sinal. Como sempre, os detalhes do game marcam presença.
     A parte sonora do game é mediana. A temática principal das músicas é algo como "uma música de igreja num tom mais tenso com uma pitada de rock". Quando não há inimigos na tela, ouvimos apenas o som ambiente, o vento, os passos de Kratos, os objetos que o personagem destrói... mas quando os inimigos aparecem, vem aos nossos ouvidos uma das músicas do jogo, cuja temática é essa maluquice que eu escrevi aí em cima. Realmente, as músicas se adequam bem aos ambientes por onde o personagem passa, retratando bem as situações. Só que as músicas são parecidíssimas entre si, então a sonoridade do título torna-se meio repetitiva. Mas nada que prejudique o game, pelo contrário, como já dito as músicas se adequam bem aos ambientes e às situações.


THE END
Prós: Jogabilidade muito boa, câmera invejável, história bem feita, ótima ambientação da temática grega.
Contras: Pouca diversidade de cenários, e músicas muito parecidas.
Considerações finais: God of War é um jogo que vale muito a pena ter em seu PS2, seus pequenos defeitos são pouco notados em meio à ação frenética, e suas qualidades são invejáveis a muitos outros jogos, sejam eles do mesmo gênero ou de gêneros diferentes. Mais um que recebe o selo RECOMENDADO do Point!

Um comentário:

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